Fredy da Silva Gonçalves Bento, CEO da Litoral Mobilidade e empresário da Baixada Santista, conhecido também como Fredy Restrito, acompanha um mercado que vem ampliando as alternativas para quem busca soluções de mobilidade elétrica. Para quem usa o carro diariamente, pequenos deslocamentos podem parecer baratos, mas combustível, estacionamento e manutenção aumentam o custo ao longo do tempo. Nesse cenário, uma bike elétrica ou scooter elétrica pode substituir parte das viagens motorizadas, e a comparação deve considerar não apenas o preço de compra, mas também os gastos envolvidos na utilização de cada opção.
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O primeiro cálculo está no combustível
O combustível costuma ser uma das despesas mais fáceis de visualizar quando se pensa no custo de um carro. Em São Paulo, a gasolina comum estava em torno de R$ 6,34 por litro na semana de 9 a 15 de agosto de 2026, segundo levantamento da ANP. Segundo Fredy da Silva Gonçalves Bento, esse valor ajuda a dimensionar o impacto dos deslocamentos frequentes, principalmente para quem utiliza o carro todos os dias para percorrer distâncias relativamente curtas.
Em um exemplo simples, um carro que percorre 10 quilômetros por litro gastaria cerca de R$ 0,63 em gasolina a cada quilômetro. Um percurso diário de 20 quilômetros, entre ida e volta, representaria aproximadamente R$ 12,68 em combustível. Em 22 dias de deslocamento, seriam cerca de R$ 279 apenas nessa despesa. Ao longo de um ano, considerando a mesma frequência de uso, o gasto com combustível ultrapassaria R$ 3 mil, sem incluir estacionamento, manutenção, seguro e outros custos associados ao automóvel.
A recarga muda a conta
Uma bateria de 48 volts e 15 Ah, por exemplo, tem capacidade aproximada de 720 Wh, ou 0,72 kWh. O custo de uma carga completa será determinado pela tarifa de eletricidade da residência e pelo consumo efetivo durante o uso. A partir desses dados, o consumidor consegue estimar quanto uma recarga representa na conta de energia e comparar esse valor com o gasto necessário para abastecer um carro no mesmo período.

Isso não significa que toda recarga custará o mesmo valor. Autonomia, peso transportado, velocidade, terreno e frequência de utilização interferem no consumo. Por isso, avaliar apenas o preço da eletricidade pode dar uma visão incompleta do custo real de uma bike ou scooter elétrica. O estado da bateria e a forma de utilização também podem influenciar a eficiência, tornando importante considerar o conjunto de fatores ao calcular a economia proporcionada pelo veículo.
Para Fredy Restrito, essa mudança de lógica ajuda a explicar o interesse crescente pela mobilidade elétrica. Em vez de abastecer um veículo com combustível para cada deslocamento, o usuário passa a lidar com uma bateria que pode ser recarregada em casa, desde que o modelo e a infraestrutura permitam essa operação. A possibilidade de realizar a recarga no próprio local de residência também pode facilitar a rotina de quem utiliza esses veículos para deslocamentos frequentes e de curta distância.
O carro ainda tem outros custos
A economia não está somente na comparação entre gasolina e eletricidade. Um automóvel envolve despesas como manutenção, troca de óleo, pneus, estacionamento e outros custos relacionados à utilização e à propriedade do veículo. Mesmo que esses gastos não apareçam em cada deslocamento, eles fazem parte do custo de manter um carro disponível para a rotina e podem pesar no orçamento ao longo do ano.
Em trajetos muito curtos, alguns desses gastos continuam existindo mesmo quando o carro é usado por poucos quilômetros. Por isso, como destaca Fredy da Silva Gonçalves Bento, a decisão de substituir determinadas viagens pode fazer mais sentido do que pensar em abandonar completamente o automóvel. A ideia é avaliar quais deslocamentos podem ser realizados de outra forma, reduzindo a frequência de uso do carro sem necessariamente abrir mão dele para situações que exigem maior autonomia ou capacidade de transporte.
Uma pessoa que percorre dois ou cinco quilômetros para trabalhar, estudar, fazer compras ou resolver tarefas cotidianas pode utilizar uma bike elétrica ou scooter autopropelida para parte desses deslocamentos. Nesse cenário, o carro pode permanecer disponível para viagens mais longas, enquanto o veículo elétrico leve assume as rotas menores. Essa combinação permite adaptar o meio de transporte à distância e à finalidade de cada viagem, evitando utilizar um automóvel quando uma alternativa elétrica leve já seria suficiente.
