A rede municipal de ensino de Guarulhos promoveu, ao longo de setembro de 2026, uma programação dedicada à valorização da cultura surda, à difusão da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e à convivência entre estudantes surdos e ouvintes. As ações fizeram parte do Setembro Azul, período voltado à conscientização sobre direitos, identidade e participação social da comunidade surda.
Divulgada em 25 de setembro pela Secretaria Municipal de Educação de Guarulhos, a iniciativa reuniu atividades em diferentes unidades da cidade. A programação incluiu rodas de conversa, formação de profissionais, apresentações teatrais, show de talentos, ações de grafite e encontros com familiares.
Atividades aproximaram estudantes, profissionais e famílias
Entre os destaques esteve uma roda de conversa realizada no CME Adamastor, com a participação de representantes da Associação As Mãos de Davi. O encontro integrou as ações de reflexão sobre a cultura surda e contribuiu para ampliar o debate sobre acessibilidade, comunicação e inclusão no ambiente educacional.
As escolas municipais também desenvolveram atividades próprias durante o mês. Na EPG Anísio Teixeira, que funciona como polo de educação bilíngue para surdos, os estudantes apresentaram adaptações das obras “Os três porquinhos” e “O Pequeno Príncipe” para familiares e integrantes da comunidade escolar.
As apresentações aproximaram o trabalho pedagógico do cotidiano das famílias e mostraram possibilidades de expressão artística com o uso da Libras. A proposta também favoreceu a participação conjunta de estudantes surdos e ouvintes, reforçando a importância de uma escola preparada para diferentes formas de comunicação.
Na EPG Edson Nunes Malecka, a programação contou com uma Mostra Cultural com trabalhos produzidos por alunos da Classe Bilíngue de Surdos. Os conteúdos foram acompanhados de QR Codes com sinalização em Libras, recurso utilizado para ampliar o acesso das pessoas às informações apresentadas pelos estudantes.
Libras e cultura surda no ambiente escolar
As ações realizadas em Guarulhos foram além de atividades comemorativas. Ao incluir Libras, produções culturais e participação familiar na rotina escolar, a programação destacou a necessidade de reconhecer a identidade surda e garantir condições de comunicação para os alunos.
A Libras é reconhecida legalmente no Brasil como meio de comunicação e expressão. No contexto educacional, sua presença contribui para que estudantes surdos tenham acesso às atividades, aos conteúdos e à convivência escolar, enquanto os alunos ouvintes também podem conhecer uma língua e uma cultura presentes na comunidade.
De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Dia Internacional das Línguas de Sinais é celebrado em 23 de setembro. A data reforça a importância da acessibilidade e da garantia de direitos para pessoas surdas em diferentes áreas da vida social.
Já o Dia Nacional dos Surdos ocorre em 26 de setembro. A data foi instituída pela Lei nº 11.796/2008. As duas datas ajudam a contextualizar o Setembro Azul e a ampliar a visibilidade de pautas relacionadas à educação, à comunicação e à participação da comunidade surda.
Inclusão como prática permanente
Ao reunir escolas, profissionais, estudantes e famílias, a programação evidenciou que a inclusão pode ser trabalhada em diferentes dimensões da educação pública. Teatro, mostras culturais, rodas de conversa e atividades de formação criam oportunidades para que a cultura surda seja conhecida e respeitada dentro da comunidade escolar.
Em Guarulhos, a realização das atividades em unidades como a EPG Anísio Teixeira e a EPG Edson Nunes Malecka também deu visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas Classes Bilíngues de Surdos e pelo polo de educação bilíngue. Essas experiências reforçam a importância de recursos acessíveis e de profissionais preparados para atender às necessidades dos estudantes.
Embora concentradas no Setembro Azul, as iniciativas apontam para um debate que permanece durante todo o ano letivo: como assegurar que a escola seja um espaço de aprendizagem, convivência e participação para todos. A valorização da Libras e da cultura surda é parte desse processo e envolve políticas públicas, formação educacional e envolvimento das famílias.
