Lucas Peralles, nutricionista esportivo e fundador do Método LP em São Paulo, observa em consultório um padrão que passa despercebido na maioria das avaliações nutricionais: pacientes com planos alimentares adequados, calorias dentro do esperado e escolhas razoáveis que, mesmo assim, comem mais do que o corpo precisa. Não por falta de controle, mas porque nunca desenvolveram a habilidade de perceber quando estão saciados. De maneira concreta, o problema não está no que comem. Está em como comem.
A velocidade e o nível de atenção durante as refeições são fatores que interferem diretamente na regulação do apetite e raramente entram na conversa sobre emagrecimento. Enquanto a maioria dos protocolos discute o que colocar no prato, ignora completamente o que acontece no sistema nervoso durante o ato de comer, e esse descuido tem consequências mensuráveis sobre a ingestão calórica diária e sobre a relação que a pessoa constrói com a própria fome.
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O atraso entre comer e sentir: o que acontece nos primeiros vinte minutos?
O sinal de saciedade não é instantâneo. Isso porque, depois que o alimento entra no estômago, o organismo leva entre quinze e vinte minutos para processar as informações hormonais e enviar ao cérebro a mensagem de que a refeição foi suficiente. Quem come rápido ultrapassa esse intervalo antes de receber o sinal, consumindo um volume significativamente maior do que precisaria para atingir a mesma sensação de saciedade que chegaria mais tarde de qualquer forma.

Além disso, esse mecanismo tem implicações diretas para qualquer processo de emagrecimento. Na prática, reduzir a velocidade das refeições, sem mudar nenhum outro aspecto do plano alimentar, pode reduzir a ingestão calórica diária de forma consistente ao longo do tempo. O fundador do Método LP, Lucas Peralles, trabalha com essa dimensão como parte do processo clínico, especialmente em pacientes que relatam dificuldade de controlar as porções mesmo quando a alimentação está teoricamente estruturada.
O que a distração faz com a percepção de fome e saciedade?
Comer diante de telas, durante reuniões ou enquanto realiza outras tarefas, compromete a atenção disponível para os sinais internos do corpo. O cérebro, ocupado com outra demanda cognitiva, registra a refeição com menos intensidade, o que resulta em menor percepção de saciedade e maior probabilidade de continuar comendo além do necessário. Inclusive, estudos em nutrição comportamental demonstram que pessoas que comem distraídas consomem mais na refeição atual e também nas refeições seguintes, porque a memória da refeição anterior é menos consolidada.
Lucas Peralles, especialista em comportamento alimentar por trás do Método LP, trata a atenção durante as refeições como uma habilidade clínica relevante, não como uma recomendação genérica de bem-estar. Isso porque desenvolver a capacidade de comer com presença mínima é parte do trabalho de construção de autonomia alimentar. Afinal, quem não consegue perceber os próprios sinais de fome e saciedade depende sempre de regras externas para regular o que come.
Ritmo alimentar e regulação hormonal
A forma como as refeições são conduzidas influencia a secreção de hormônios relacionados ao apetite de maneiras que vão além do simples atraso do sinal de saciedade. Refeições realizadas com calma e atenção estimulam a produção de colecistoquinina e peptídeo YY, hormônios que prolongam a sensação de saciedade e reduzem o apetite nas horas seguintes. Refeições apressadas e distraídas comprometem essa resposta hormonal, gerando um ciclo de fome precoce que muitas pessoas interpretam como falha do plano alimentar, quando, na verdade, é uma consequência direta do comportamento durante a refeição.
Para Lucas Peralles, referência em nutrição esportiva em São Paulo que criou o Método LP, corrigir o ritmo alimentar é uma das intervenções com melhor custo-benefício dentro de um processo de mudança comportamental. Não exige nenhuma alteração no cardápio, não adiciona restrição e produz resultados concretos sobre a ingestão calórica e a relação do paciente com a própria fome.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
