Entre a formação geológica de uma rocha e a bancada instalada, Diohn do Prado, diretor administrativo, aponta o beneficiamento como a etapa que mais se transformou com a tecnologia, ampliando o que arquitetos e designers podem especificar em seus projetos.
O beneficiamento consiste em uma série de processos que transformam o bloco bruto em chapas e peças acabadas, incluindo serragem, resinagem, polimento, corte e tratamento das superfícies. Cada avanço nessas etapas proporcionou ganhos significativos em termos de precisão, redução de perdas e desenvolvimento de novas texturas, permitindo aplicações que, até pouco tempo atrás, eram inviáveis.
Os efeitos do processo são visíveis no resultado final, em peças de maior porte, recortes mais elaborados e superfícies com acabamentos diversificados. A seguir, serão apresentadas as tecnologias empregadas e sua influência nos projetos.
Serragem e resinagem
A primeira transformação ocorre no processo de serragem. Os teares multifio, que utilizam fios diamantados para cortar o bloco em múltiplas chapas simultaneamente, substituíram em grande parte os antigos teares de lâminas com granalha. O processo é mais rápido e eficiente, produzindo chapas com espessura regular, além de reduzir o volume de material perdido durante o corte.
Além disso, Diohn do Prado explica que a regularidade da espessura é fundamental para facilitar o polimento, a montagem das peças e o encaixe entre chapas em revestimentos contínuos. É imprescindível estar atento, pois diferenças mínimas, quando somadas, podem comprometer emendas e nivelamento.
A resinagem constitui uma etapa crucial do processo. Linhas automatizadas aplicam resinas, frequentemente com auxílio de vácuo e fornos de cura, para preencher microfissuras e poros naturais. O tratamento aumenta a estabilidade da chapa e permite utilizar pedras com design marcante, que, sem o reforço, teriam utilização limitada.
As tecnologias que mudaram o corte e o acabamento
Ao avaliar os resultados, o diretor administrativo, Diohn do Prado, destaca que a combinação entre automação e trabalho especializado ampliou a variedade de superfícies e formas disponíveis para os projetos. Dentre as tecnologias que mais influenciam esse resultado, podemos citar:
- Centros de usinagem CNC: máquinas controladas por computador executam recortes para cubas e cooktops, bordas trabalhadas, rebaixos e peças tridimensionais com repetição precisa, incluindo cubas esculpidas a partir de um único bloco.
- Corte por jato d’água: um jato de água em altíssima pressão, misturado a abrasivo, recorta formas curvas e encaixes detalhados sem aquecer a pedra, o que viabiliza mosaicos e incrustações.
- Polidoras automáticas: sequências de abrasivos padronizam o brilho em toda a chapa e permitem controlar o nível de reflexo de acordo com o projeto.
- Escovação e acabamento do couro: escovas abrasivas desgastam as partes mais macias da superfície e realçam o relevo natural, criando texturas foscas e agradáveis ao toque.
- Flameado e jateado: a aplicação de chama ou de jato abrasivo torna a superfície rugosa, aumentando a aderência em pisos externos e áreas molhadas.
- Escaneamento digital de chapas: imagens em alta resolução permitem simular a posição dos veios no projeto e planejar o corte antes de a chapa ser tocada.

Essas tecnologias não dispensam a mão de obra especializada. A montagem de peças em meia-esquadria, o ajuste de emendas e o acabamento de detalhes continuam a depender de experiência prática comprovada. A precisão das máquinas é, assim, transformada em um resultado visível e mensurável no produto final da construção.
Grandes formatos, peças leves e menos desperdício
A tecnologia também expandiu as dimensões possíveis. Os equipamentos de serragem e manuseio, adaptados a blocos de maior porte, possibilitam a produção de chapas em formatos amplos, empregadas na construção de paredes contínuas e em ilhas de cozinha sem emendas. Painéis compostos, nos quais uma lâmina fina de pedra é colada a uma base leve, como colmeia de alumínio, reduzem o peso em fachadas, forros e móveis.
A redução de desperdício é outro efeito relevante. Os softwares de otimização são empregados na distribuição das peças sobre a chapa, de modo a aproveitar o material de forma máxima. Já os sistemas de recirculação são responsáveis pela reutilização da água utilizada no corte e no polimento. Os resíduos finos podem ser destinados à produção de argamassas e outros insumos da construção civil.
Diohn do Prado enfatiza o fato de que o planejamento digital do corte, combinado com o aproveitamento de retalhos em peças menores, aumenta a eficiência produtiva, proporcionando mais controle sobre o desenho final, com um menor volume de sobras. Aplicações que exploram esses recursos podem ser vistas no perfil @marmorariaagilizastone.
Precisão a serviço da identidade da pedra
A inovação no beneficiamento ampliou o alcance das pedras naturais sem alterar sua essência. A utilização de ferramentas especializadas, como serras de precisão, resinagem automatizada, usinagem CNC, jato d’água e acabamentos variados, permitiu a produção de peças de maiores dimensões, formas complexas e superfícies adequadas a cada uso. Diohn do Prado avalia que tal avanço aproxima o trabalho da marmoraria da linguagem do projeto, ao transformar desenhos detalhados em peças executáveis.
Além disso, o ganho se estende à eficiência. A tecnologia proporciona uma redução de perdas no corte, reaproveitamento de água e resíduos, além de uma maior durabilidade das peças tratadas. Isso demonstra que a tecnologia melhora o uso dos recursos naturais e reduz o impacto ambiental da cadeia produtiva.
Ademais, o diretor administrativo Diohn do Prado destaca que a máquina amplia as possibilidades, porém a escolha do acabamento continua dependendo do uso previsto para cada ambiente. A combinação entre técnica e critério resulta em superfícies que valorizam a identidade de cada pedra.
