Repetir o orçamento do ano anterior com pequenos ajustes parece prudente, mas tende a perpetuar desperdícios. De acordo com Marcio Alaor de Araujo, empresário com foco em desenvolvimento organizacional, a comparação entre o orçamento base zero e o orçamento incremental ajuda a entender quando cada modelo faz sentido. A escolha influencia não apenas os custos, mas também a forma como as equipes pensam sobre os recursos da empresa.
Como funciona cada modelo
No orçamento incremental, o ponto de partida são os gastos do período anterior. Cada área recebe uma verba semelhante à do ano passado, com acréscimos ou cortes percentuais definidos a partir das metas e da inflação. O processo é rápido, previsível e relativamente simples de conduzir, o que explica sua popularidade entre empresas de diferentes portes.
No orçamento base zero, cada área parte do zero e precisa justificar todas as despesas, como se a estrutura estivesse sendo montada pela primeira vez. Cada gasto é avaliado de acordo com sua contribuição para os objetivos da empresa, e despesas que não se justificam são eliminadas, mesmo que existam há muitos anos.
Vantagens do modelo incremental
A principal vantagem do orçamento incremental é a praticidade. O processo consome menos tempo das equipes e da liderança, gera menos conflitos entre áreas e oferece estabilidade para o planejamento. Em empresas com operações maduras e custos bem conhecidos, o modelo pode ser suficiente para a maior parte das despesas.
Na leitura de Marcio Alaor de Araujo, o risco está na acomodação. Despesas criadas para atender necessidades antigas continuam no orçamento porque ninguém questiona sua existência. Áreas aprendem a gastar toda a verba disponível para não perder recursos no ano seguinte, e ineficiências se acumulam silenciosamente ao longo do tempo.

Vantagens do orçamento base zero
O orçamento base zero obriga a empresa a rever suas despesas com profundidade. Contratos, estruturas e rotinas que deixaram de fazer sentido aparecem com clareza, e os recursos podem ser redirecionados para iniciativas ligadas à estratégia. Em momentos de pressão sobre as margens ou de mudança de rumo, o modelo costuma gerar economias relevantes.
Outro benefício é cultural. Gestores passam a enxergar cada despesa como uma escolha, e não como um direito adquirido. A discussão sobre o orçamento deixa de girar em torno de percentuais e passa a tratar de prioridades, o que aproxima o planejamento financeiro do planejamento estratégico.
Custos e armadilhas de cada abordagem
O orçamento base zero tem um preço. O processo é trabalhoso, exige informações detalhadas e consome tempo de muitas pessoas. Quando aplicado de forma rígida, pode gerar cortes que prejudicam áreas importantes para o futuro, como pesquisa, treinamento ou marketing, cujos resultados aparecem apenas no longo prazo.
Como pontua Marcio Alaor de Araujo, o modelo também pode gerar desgaste se for conduzido apenas como programa de corte de custos. Equipes que percebem o processo como ameaça tendem a resistir e a esconder informações. Comunicar os objetivos com transparência e envolver os gestores nas decisões ajuda a reduzir a resistência.
Qual caminho escolher
Muitas empresas encontram o equilíbrio em modelos híbridos. Aplicam o orçamento base zero em categorias específicas de despesas, como serviços contratados, viagens ou estruturas administrativas, e mantêm o modelo incremental para gastos mais estáveis. Outras fazem uma revisão completa a cada dois ou três anos e usam o modelo incremental nos intervalos.
Conforme sublinha Marcio Alaor de Araujo, mais importante do que o método é a disposição para questionar os gastos com regularidade. O orçamento base zero, mesmo aplicado de forma parcial, ajuda a criar uma cultura de responsabilidade sobre os recursos, e empresas que tratam o orçamento como ferramenta estratégica têm mais condições de crescer de forma sustentável.
